Quem sou eu e porque decidi fazer jornalismo?

19 de novembro de 2011

Esse é o texto que escrevi para o Curso Abril de Jornalismo 2012. Em 18 de novembro participei da 2ª fase do processo seletivo: a entrevista. Agora, é esperar o resultado.

Quem sou eu e porque decidi fazer jornalismo?

por Mayara Barbosa

Se você, leitor, olhasse no espelho conseguiria definir precisamente quem é? Eu, não. O que vejo são apenas olhos escuros, um cabelo comprido preto, a pele morena e as unhas cor de ameixa. É por isso que resolvi reservar alguns minutos do meu dia para refletir sobre a questão, revivendo assim lembranças há muito intocadas.

Descobri que sou aquela menininha que amava vestir o uniforme suado do pai quando ele chegava a nossa casa depois de um dia cheio de trabalho, menina que amava tomar Coca-Cola na mamadeira, usar chuquinhas, dançar lambada e cujo cérebro logo cedo percebeu que apenas dois potinhos de papinha ou de iogurte não são suficientes para matar a fome, que as histórias mais interessantes para ouvir antes de dormir não estavam em livros sobre princesas e cavalos brancos, mas nos livros de receita, que chupar toda a poupa da azeitona era melhor do que morder, que chocolate Kinder Ovo só era legal por causa dos brinquedos e que quando cortamos o cabelo de uma boneca, ele não crescerá novamente.

Também me lembrei da criança que odiava palhaços e machucados, se divertia assistindo a Tartarugas Ninja, Power Rangers e comendo verduras e legumes. A filha única por oito longos anos que recorria ao pai para brincar de casinha, salão de cabeleireiro e de caixa de supermercado. Tudo com direito a sucos e bolos de plantas, maquiagem roxa, penteados rebuscados e dinheiro de mentirinha.

Não demorou muito para que minha mente também fosse invadida por imagens de uma adolescente anormal como todos os outros, que sofreu com paixonites agudas, achou que os pais a odiavam, que a canção de sua vida era “Não dá para não pensar em você”, de Sandy e Junior, e que o mundo iria acabar em roupas e sapatos. Para minha sorte, essa fase logo acabou.

Assim, minhas lembranças deram lugar para a garota quase adulta que tinha uma árdua tarefa: escolher sua profissão. Mas seria isso fácil? Logicamente, não. Por isso, a melhor maneira era fazer uma lista de preferências. Vi então que amava ler e assistir a filmes de ficção científica, desastres naturais, guerra e conspirações políticas. Mas que não tinha nenhum talento para ser cientista, meteorologista ou soldado. Vi que qualquer assunto sobre o universo e as estrelas me encantava, que história, geografia e português eram minhas matérias preferidas e que minha boca não conseguia ficar fechada por nada, mas nada mesmo.

Notei também que não importava a situação, eu sempre tinha uma opinião e um ponto de vista para fornecer e uma propensão, quase suicida, de sair em defesa dos amigos e que preconceito e desigualdade são as piores palavras do mundo. Aprendi ainda que, para a nossa saúde, existem músicas de Chico Buarque, Elis Regina e Caetano Veloso, mas que melhor ainda é poder ouvir também um samba quando se está em um churrasco, um rock no pub mais badalado da cidade, um axé na praia, uma moda de viola com o seu avô e Elton John em cerimônias de casamento – gosto é gosto e a diversidade é sempre um sinal de democracia.

Lembrei-me ainda da menina da quinta linha, a qual aprendeu que nada precisa continuar como está e que nem sempre a primeira versão é a verdade. E, às vezes, nem a segunda e nem terceira. Ou ainda que a verdade pode ser todas elas. Como então viver com tudo isso? Havia apenas uma alternativa: o jornalismo. Um ofício feito de palavras vivas, de falas transformadoras e de imagens inesquecíveis, que desperta um dependência, quase uma relação de senhor e vassalo, na qual não existe hora ou dia para se esquecer do que somos e devemos ser.  Uma profissão sedenta de amantes devotos e dedicados.

Encerro então, caro leitor, dizendo que hoje sou a profissional cujas vontades, objetivos e história de vida estarão sempre vinculados àquilo para o que fui escolhida. Porque ser um jornalista não é uma opção, mas uma inquietude na alma, um olhar diferente, uma desconfiança e sensibilidade a mais, um jogo de cintura quase anti-heroico. Características não aprendidas, mas concebidas assim que se nasce.

2 Respostas to “Quem sou eu e porque decidi fazer jornalismo?”

  1. Cintia Magalhaes said

    Lindo!

  2. Lara said

    Oi May!
    amiga…descobri seu blog..=]
    que lindo!…sinto que fiz parte de alguns momentos da sua vida!…=]
    Saudaaaaades
    Bjos

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