Prof. Maurílio: de Minas para o mundo

8 de outubro de 2009

Perfil publicado no jornal Entre Nós da Unitau em Julho de 2008

Por Mayara Barbosa

Mineirinho de Mariana, cidade histórica de Minas Gerais, o Prof. Dr. Maurílio José de Oliveira Camello, 70 anos, diretor do Instituto Básico de Humanidades (IBH), é um homem de muitas surpresas e histórias. Ele já foi padre (depois de casou), rodou o mundo, quase foi jogador de futebol, faz caricaturas, poesia, lê grego e latim, é filósofo e escritor, ou seja, haja casos para contar.

Vindo de uma família católica muito religiosa, Camello conta que, desde pequeno, já participava de atividades na igreja. “Eu não tinha força nem altura para ajudar o padre, caía quase sempre na hora da missa”.
Toda sua infância foi em Mina. E, como quase toda criança, Camello aprontava muitas travessuras. “Eu e meus amigos pegávamos a cera das velas já derretidas e colocávamos na campainha dos vizinhos, para dispará-las”, diverte-se.

Apesar das brincadeiras de meninice, aos oito anos, Camello disse aos pais que queria seguir o caminho do sacerdócio. Com 11 anos de idade, entrou para o seminário, e, com 24 foi ordenado padre.

O professor, que há 10 anos trabalha na UNITAU (Universidade de Taubaté), formou-se em Filosofia no período em que foi seminarista. Na época em que foi padre, Camello teve a oportunidade de viajar para muitos lugares. Morou três anos na Itália, época em que estudou História Cristã. Um dos locais que mais lhe traz recordações é uma pequena cidade na Suíça, onde costumava esquiar, apesar de cair muito!

Por gostar tanto de jogar futebol, enquanto ainda estava no seminário, Camello foi convidado para fazer um teste no Botafogo. Mas confessa que tem como time do coração o Atlético Mineiro.

A vida, entretanto, lhe reservava outros rumos. Na década de 70, ele desistiu do sacerdócio e acabou se casando. “Estava apresentando minha aula inaugural, havia uma mulher na platéia que acabou se interessando por mim. Costumo falar que ela me escolher”, brinca. O casamento já dura 30 anos.

Camello ressalta que já teve dias de grandes emoções em sua vida, como o dia de sua ordenação, o de seu casamento, mas diz que o do nascimento de seu filho foi uma enorme felicidade. “Não há nada mais maravilhoso do que carregar nos braços algo que é fruto seu”, conta.

Apesar de nunca ter voltado a morar em Minas Gerais, o professor diz que carrega Minas no coração e confessa que sua maior “mineirice” é um bom bate-papo. “Gosto de uma boa conversa miúda, ao pé do ouvido. Mas, infelizmente, hoje em dia, falamos muito pouco, pois as pessoas vivem sempre ocupadas.”

Com muita emoção, lembra do pai, de quem guarda ótimas lembranças e a quem considera uma grande inspiração. Em comemoração ao centenário de nascimento dele, Camello lhe dedicou um livro que escreveu: “No Tempo do Pai”.

Uma das coisas que mais gosta de fazer nas horas vagas é ler. E conta que é um grande admirador das obras e dos pensamentos de São Tomás de Aquino. O professor também tem uma mania: não consegue deixar as roupas viradas do avesso.

Grande apreciador da natureza e da vida em si, Camello ressalta a importância de observarmos com atenção o que está ao nosso redor. “As pessoas reclamam da vida, porém não fazem o menor esforço para olhar a beleza que está espalhada. Basta abrir os olhos e admirar”.

Sempre atraído pelos aspectos cômicos da vida, o professor conta que, por gostar muito de rir, e geralmente isso ocorre em situações importunas, já passou por vários momentos engraçados. E, dotado de nenhuma timidez, o professor revela que adora beijar no rosto as pessoas com quem vai falar. “Sou um beijoqueiro. Acho o beijo uma forma de expressar carinho e afeto às pessoas”, confessa.

Dotes Artísticos
Com muitos dons artísticos, Camello se emociona bastante com a arte, por ela “provocar no observador sentimentos intensos e fantásticos”. O professor conta que já se arriscou a pintar alguns quadros, mas gosta mesmo é de fazer caricaturas. Quando adolescente, em vez de prestar atenção nas aulas, ficava desenhando seus professores.

Já na música, aprecia muito a caipira e a popular, pois diz que são dotadas de grande filosofia em suas letras. “Acho que a música ‘Deixa a Vida me Levar’, do Zeca Pagodinho, fala de uma maneira muito filosófica.” Sobre outros ritmos, o professor brinca que ainda não consegui se acostumar com o estilo heavy metal.

Para o futuro, Camello tem muitas idéias e planeja, além de publicar alguns trabalhos que estão na gaveta, se dedicar a um projeto voltado para a alfabetização de adultos. “Para mim, o processo de descoberta da língua é encantador”.

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